Multiplica ODS: Conectando Sistemas Alimentares aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável destaca vínculos com a Agenda 2030.
O livro Multiplica ODS: Conectando Sistemas Alimentares aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável destaca a intersecção entre os sistemas alimentares e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Escrita por acadêmicos da USP e de diferentes instituições do País, pretende contribuir para a reflexão e ação em torno da promoção de sistemas alimentares sustentáveis. O livro já está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP, e integra a Coleção ABCD Agenda 2030 e a categoria Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Fruto de um curso homônimo, promovido pelo Sustentarea, Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão (Nace) da Faculdade de Saúde Pública (FSP), em parceria com a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, o livro representa uma oportunidade única de reafirmar a alimentação como uma necessidade inadiável, como afirma Débora Bós e Silva, líder do Multiplica ODS (Sustentarea USP) e uma das autoras, no prefácio. Para a pesquisadora, é fundamental compreender como os sistemas alimentares se relacionam com a Agenda 2030, um plano de ação global estabelecido em 2015 pelas Nações Unidas visando a assegurar uma vida digna às populações e respeitosa ao planeta.
“Refletir atualmente sobre a tarefa de garantir e efetivar o direito humano e fundamental à alimentação, sem perder de vista a sua relação com os demais direitos, pode ser extremamente árdua, sobretudo quando o desafio principal perpassa por compreender a realidade que nos envolve, em seus aspectos ambientais, sociais e econômicos”, comenta Débora, que também é doutoranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Como ela diz, o anseio de mudança, sempre presente, exige que essa proposta desafiadora de assegurar, proteger e efetivar a alimentação considere a multiplicidade de questões que gravitam em torno do assunto, passando pela fiscalização das políticas públicas, o fortalecimento e facilitação da cooperação entre cidadãos, governos, países e instituições.
Como alerta a engenheira agrônoma e também autora Juliana Andrade Hay na apresentação do livro, nunca foi tão urgente a busca por soluções sustentáveis. “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam esse tão importante chamado à ação global, atuando como um mapa que nos guia através desses desafios, desde as mudanças climáticas até as desigualdades sociais, nos inspirando a agir de maneira colaborativa e inovadora”, destaca. Segundo ela, este conjunto de 17 objetivos não são apenas uma lista de metas, mas sim uma visão compartilhada para a construção de um futuro mais justo, na intenção de ‘não deixar ninguém para trás’.”
Alimentação sustentável
A obra é dividida em cinco capítulos, que segundo Juliana exploram como os 17 ODS impactam nossas realidades, incluindo histórias de sucesso de pessoas comuns que se tornaram agentes de mudança, além de iniciativas que desafiaram os modelos vigentes de governança, fazendo a diferença em comunidades em todo o Brasil. O primeiro capítulo aborda o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, o desenvolvimento capaz de “atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades”, segundo a definição da Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento criada pela Organização das Nações Unidas. Aborda ainda a relevância dos ODS nesse contexto global.
Os três capítulos seguintes exploram as dimensões ambiental, social e econômica da sustentabilidade, mostrando como cada uma se conecta aos diferentes ODS e aos sistemas alimentares, como a proteção da biodiversidade e a promoção da igualdade social e econômica. O último capítulo concentra-se no ODS 17, que visa a fortalecer parcerias globais para facilitar a implementação da Agenda 2030, ressaltando a cooperação entre governos e instituições. Além disso, o ODS 17 é o que apresenta o maior número de metas, sendo 19 no total, que podem ser agrupadas em cinco categorias: Finanças, Tecnologia, Capacitação, Comércio e Questões Sistêmicas, esta última subdividida em Coerência de políticas institucionais, parcerias multissetoriais e Dados, monitoramento e prestação de contas.
“É evidente que o desenvolvimento sustentável só será plenamente alcançado quando a promoção de um crescimento econômico, enriquecimento ambiental e acesso social justo e equitativo a recursos se oferecer na forma de melhores oportunidades a todas as pessoas, sempre na perspectiva de diminuir as desigualdades sociais e estabelecer um padrão de vida digno a todos os indivíduos”, afirmam os autores nas considerações finais do livro. Segundo eles, esse desenvolvimento precisa, ainda, acontecer de forma concomitante ao gerenciamento integral e sustentável dos recursos naturais e dos ecossistemas. E citam o Relatório Brundtland, que afirma que somente com a equidade social, o crescimento econômico distributivo e a proteção ambiental alcançaremos a sustentabilidade.
Fonte – USP
Foto – sansoja- Pixabay





